O Preço de uma Verdade
Fama a qualquer preço
30 de outubro de 1938, véspera de Halloween. A rádio norte-americana Columbia Broadcasting System, depois de transmitir as previsões meteorológicas, segue com a parte musical, quando um locutor interrompe repentinamente a programação: "A CBS interrompe seu programa para anunciar aos ouvintes que um meteoro de grandes dimensões caiu em Grovers Hill, no estado de Nova Jersey, a algumas milhas de Nova York."
Posteriormente, entra um repórter narrando algo que deixaria os ouvintes com os nervos a flor da pele. Seres de outro planeta com enormes tentáculos saíram aos montes do fragmento disparando raios para todos os lados atingindo fatalmente o enviado especial.
A histeria tomou conta da população. Milhares de pessoas abandonaram suas casas à procura de um lugar seguro. Para piorar a situação, os extraterrestres lançaram um gás mortífero no ar ferindo o locutor da rádio que não resistiu e morreu. Em seguida, ele voltou a anunciar: "Vocês acabaram de ouvir a primeira parte de uma irradiação de Orson Welles, que radiofonizou a obra de ficção A guerra de dois mundos, do famoso escritor inglês H. G. Wells."
Toda essa famigerada "brincadeira" rendeu ao criativo cineasta Orson Welles fama internacional. Ele pôde colher os "louros" com seu filme de estréia Cidadão Kane (1941) sobre um magnata da imprensa norte-americana, considerado um dos melhores filmes da história do cinema.
Glass recebeu notoriedade no mundo jornalístico por galgar posições em pouco tempo de atuação na imprensa norte-americana. O currículo do jornalista contava com colaborações para as revistas Harper's, George e Rolling Stones, além de ter sido editor-associado da conceituada revista de política e atualidades The New Republic por três anos (1995-1998).
Telhado de vidro
A média etária dos redatores e editores da revista era de 26 anos, Stephen Glass era o mais jovem de todos. Apesar da pouca idade, seu aparente profissionalismo e o indiscutível senso criativo que o acompanhava em quase todos os textos, o fizeram ser respeitado no veículo de comunicação. Até que uma pedra, atirada por ele mesmo, atingiu seu telhado de vidro.
Em uma das reuniões de pauta do periódico, Glass apresentou uma sugestão que daria fim à farsa por ele montada. A reportagem "O Paraíso dos Hackers" relatava a história de um adolescente de 13 anos que invadiu o sistema de segurança de uma grande empresa de softwares que, logo após ser descoberto, foi convidado a trabalhar para a empresa na qual o garoto só aceitaria a proposta mediante exigências absurdas, como, por exemplo, assinaturas de revistas pornográficas.
Minuciosamente, o jornalista forjava até as próprias anotações despistando as checagens das fontes. Mas o repórter Adam Penenberg, da Forbes Digital, com o orgulho ferido pela cobrança do seu chefe por não cobrir o evento ilusório, decide por conta própria investigar a história.
O desmascaramento foi inevitável. Rendendo, inclusive, uma minuciosa investigação sobre os trabalhos feitos por Glass para Republic. Resultado: das 41 histórias publicadas, 27 foram parcialmente ou integralmente inventadas por Stephen Glass.
Fonte: HERINGER, Sandro. Fama a qualquer preço Diponível em: http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/cultura/quarent2/cultura1.htm. Acessado em: 30/08/11
ATIVIDADE 06
Prezados alunos, esta atividade consiste na análise crítica do filme "O Preço de Uma Verdade", que assistimos na segunda-feira em sala de aula, e está dividida em duas etapas:
a) Discutir em sala o filme e anotar aspectos importantes, dentre eles:
1) O personagem principal, para construir sua carreira de forma meteórica, utilizou de artifícios que são condenáveis sobre vários pontos de vísta. Comente quais aspectos você considera incorretos.
b) Após essa discussão, escreva uma resenha crítica do filme, abordando os seguintes aspectos:
2) O filme discute algumas questões sobre sobre a ética na imprensa. Quais questões são essas? Poste sua resposta como comentário.
Boa atividade!
Grato pela atenção,
Prof. Nasson



